Conferência de Justiça da Noruega – 2018

Conferência de Justiça da Noruega – 2018

No dia 9 de novembro aconteceu em Oslo a primeira Conferência de Justiça da Noruega. O evento foi realizado por 11 organizações cristãs, entre elas a Missão Aliança. A Conferência reuniu 250 pessoas de todo o país.

Andreas Andersen, Secretário Geral da Missão Aliança abriu a Conferência, em seguida a Primeira Ministra da Noruega, Erna Solberg, fez o seu discurso, desafiando os cristãos a não se ocuparem apenas com “assuntos espirituais”, mas também com tudo aquilo que afeta a vida humana e o planeta. Jo Herbert, uma das responsáveis pela organização da Conferência da Justiça no Reino Unido falou sobre esse movimento global que nasceu em 2010 e já reuniu milhares de pessoas em todo o mundo para compartilhar uma preocupação com os mais vulneráveis e oprimidos.

Logo depois tivemos os oradores principais tratando dos seguintes temas:

  • O papel da igreja na luta por justiça – Agnes Aboum, do Quênia, Moderadora do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas.
  • Desigualdade econômica e justiça social – Bebeto Araújo, Diretor da Missão Aliança no Brasil.
  • Escravidão moderna e ética nos negócios – Henrik Syse, filósofo, professor pesquisador do Instituto de Pesquisa para Paz (Oslo) e Diretor de Ética do Fundo de Previdência Global.
  • Justiça climática – Embla Regine Mathisen, líder nacional da Changemaker, organização de jovens cristãos (13 a 30 anos) que atua de maneira criativa influenciando políticos noruegueses a se comprometer publicamente na luta contra a injustiça e a pobreza no mundo.

Partilhamos aqui alguns trechos do discurso do Bebeto Araújo:

O Deus da Bíblia não é individualista, ele tem consciência social e coletiva. Ele ama a todos sem distinção, mas numa sociedade onde as pessoas são oprimidas e tratadas com discriminação e desprezo, Deus toma partido: ele fica do lado do mais fraco.

Precisamos falar de desigualdade, porque desigualdade mata. A desigualdade no Brasil não é um acidente, mas sim, uma opção política. Um caminho óbvio para termos uma sociedade mais justa é a reforma tributária. É necessário resolver o fato de que os ricos têm uma carga tributária menor do que a dos pobres. Mas há interesses privados que limitam qualquer regulamentação que afeta a renda e o patrimônio dos mais ricos.

A desigualdade e a pobreza não são inevitáveis. São, antes de mais nada, produtos de escolhas políticas injustas que refletem a desigual distribuição de poder nas sociedades. A pobreza resultante da desigualdade é uma convocação para agirmos. O evangelho que acomoda as pessoas não é o Evangelho de Jesus de Nazaré. O Evangelho de Jesus revela um Deus comprometido com a história, que ama a justiça, é pai de órfãos, protege a viúva, é o Soberano Senhor de toda a criação e está em Missão, “fazendo novas todas as coisas” (Ap 21.5).

Agir com compaixão e esperança, lutar por justiça e envolver-se em ações que promovam a igualdade de oportunidades não são tarefas opcionais para os cristãos. Estas são, de fato, marcas que mostram que a nossa fé e nosso compromisso com Cristo são verdadeiros.

Suas palavras finais foram: “que Deus nos ajude a reduzir a distância entre o que falamos e o que fazemos, de tal forma que, em algum momento, o nosso discurso se torne a nossa prática”.

Em outubro tem o Congresso ALEF

Em outubro tem o Congresso ALEF

Redescobrindo o Evangelho: A Reforma e os Desafios da Missão da Igreja Contemporânea é o tema do Congresso ALEF para pastores e líderes que vai acontecer entre os dias 18 e 21 de outubro em Natal-RN. Além de reflexões bíblicas, os palestrantes promovem momentos participativos de troca de experiências e ferramentas ministeriais para a prática da Missão Integral.

Para fazer sua inscrição e saber mais informações clique aqui.

Aliança Evangélica lança cartilha Missão Redentora de Deus

Aliança Evangélica lança cartilha Missão Redentora de Deus

Com o objetivo de oferecer mais uma ferramenta à igreja evangélica brasileira, a Aliança Cristã Evangélica disponibiliza a cartilha “Missão Redentora de Deus”. Além de artigos que conceituam a missão e explicam a relação dela com o reino de Deus e a igreja, a cartilha traz também a “missão em literatura de cordel” e indicações de leituras adicionais sobre o assunto.

A orientação é que o material seja compartilhado em pequenos grupos de estudos ou rodas de conversa, nos quais podem ser respondidas as perguntas apresentadas ao final dos três primeiros capítulos.

A cartilha é fruto de trabalho coletivo que contou com o apoio de diversas organizações e a participação de vários colaboradores. Além de Bebeto Araújo, Daniel Souza e José Marcos da Silva que participaram com os três capítulos principais, também há textos adicionais de Jorge Henrique Barro, Laurenata Araújo Lima e Luiz Felipe Xavier. O projeto gráfico e Ilustrações são de Felipe Gianni.

Clique aqui e baixe gratuitamente a cartilha.

Texto Portal Ultimato Online

Diaconia: estilo de vida dos seguidores de Jesus

Diaconia: estilo de vida dos seguidores de Jesus

Diaconia é uma palavra grega utilizada cerca de cem vezes no Novo Testamento. É uma expressão que aparece como substantivo diakonos (alguém que serve), diakonia (serviço) e como verbo diakoneo (servir). O termo é utilizado tanto para referir-se ao serviço mútuo entre as pessoas, quanto para o ministério de Jesus no mundo “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser diaconado, mas para diaconar e dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mc 10.45).

Diaconia compreende o estilo de vida que Jesus escolhe e recomenda para os seus seguidores. A diaconia pode ser definida como o Evangelho em ação, expresso através do amor ao próximo, da comunhão inclusiva, da preservação da criação de Deus e da luta pela justiça.

A Diaconia é Cristocêntrica

A diaconia é centrada em Cristo: na sua vida, exemplo, morte e ressurreição. Em Cristo, Deus mostra o Seu grande amor pela humanidade e por toda a criação, tornando-se um de nós (Jo 1.14), esvaziando-se e assumindo a forma de servo (Fp 2.6-8). A diaconia
tem em Jesus o seu modelo e exemplo. Ele cuidou das pessoas, curou os enfermos, ministrou aos pobres, tocou nos impuros, libertou os oprimidos, abraçou os marginalizados e confrontou a injustiça. Após a sua ressurreição, ele apareceu aos discípulos e disse-lhes “Assim como o Pai me enviou, também eu os envio.” (Jo 20.21). Portanto, o exemplo que devemos tomar para o nosso estilo de vida deve ser igual ao de Jesus Cristo: vivermos uma vida de serviço. A conversão implica não vivermos mais para nós mesmos, nem para satisfazermos as nossas próprias necessidades, mas vivermos para aquele que por nós morreu e ressuscitou (2Co 5.15).

Diaconia é mais que ação social e mais que projetos

A diaconia bíblica se distingue de qualquer outra ação pública ou humanitária porque ela inclui a partilha da fé e o convite para uma vida nova, a vida plena que só Cristo pode oferecer – vida que abrange a reconciliação com Deus, com o próximo e com a criação. A diaconia é uma atitude, é o estilo de vida exigido para os discípulos de Jesus. Ser um seguidor de Jesus é seguir o seu exemplo, fazer o que ele fez, ir onde ele foi e cuidar daquilo que ele cuidou. Isso vai muito além de uma atividade ou um projeto.

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Se eu, Senhor e Mestre, lavei os vossos pés, também deveis lavar os pés uns dos outros. Pois eu vos dei exemplo, para que façais também o mesmo. Jo 13.14-15

Diaconia não pode ser considerada simplesmente uma atividade de um grupo especialmente interessado em assuntos sociais. Nordstokke (1998, p. 277) afirma que “a identidade eclesiológica da diaconia faz com que ela não possa ser igualada a ação social, mesmo que na prática possa tomar uma forma semelhante”. A ação diaconal, portanto, tem suas raízes na identidade da igreja como a comunidade dos discípulos de Jesus, o Diácono por excelência.

Charles van Engen, em seu livro Povo missionário, povo de Deus, quando trata da finalidade da igreja local, diz:

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O ensino neotestamentário pressupõe que o ministério diaconal faça mais que atender às necessidades da comunidade crente. Diaconia conclama a Igreja a demonstrar – e contribuir para – a criação de uma nova ordem mundial em que a paz, a justiça e a misericórdia reinem sob o senhorio de Jesus. Diaconia não é simplesmente mais uma coisa boa que podemos fazer, ou ainda apenas um braço que deve ser estendido ao mundo em que vivemos. É natureza fundamental da Igreja cristã ministrar a todos os necessitados de todos os lugares. Quando a Igreja missionária de Deus deixa de tomar parte no ministério diaconal, algo de sua natureza missionária deixa de brotar. (1996, p.122)

A prática diaconal demanda articulação e mobilização em rede para transformar situações de morte em realidades de vida

Desde uma perspectiva bíblica, qualquer estrutura geradora de morte precisa ser transformada. Kjell Nordstokke (1995, p. 61) diz “A diaconia é profética; (…) onde a vida está ameaçada (…) nessa realidade Deus quer agir, dizendo através de palavras e ações: Basta! Assim como está não pode continuar”. A diaconia não deve estacionar no nível da caridade, ela precisa sempre avançar na direção da justiça, já que existe, claramente, uma relação direta entre conhecer a Deus e praticar a justiça. É o que diz o Senhor por meio do profeta Jeremias ao ganancioso rei Jeoaquim, contrastando o seu reinado com o de seu pai, Josias: “Teu pai (…) agiu com justiça e retidão, por isso as coisas iam bem para ele. Julgou a causa do necessitado e do pobre; e as coisas iam bem. Por acaso não é isso o que significa conhecer-me? Diz o SENHOR.” (Jr 22.15, 16).

Situações de pobreza, violência e morte demandam do povo de Deus um compromisso com a misericórdia, a compaixão e a justiça. Esse chamado é coletivo, não é “meu” ou da “minha instituição”, ele é “nosso”! Atuando em rede as nossas ações serão potencializadas, o nosso impacto será mais significativo e o nosso testemunho cristão se tornará mais crível; Aquele veio para diaconar e não para ser diaconado disse: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.15).

Autor: Bebeto Araújo


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 ENGEN, Charles van. Povo missionário, povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 1996.
 NORDSTOKKE, Kjell. Diaconia. In: SCHNEIDER-HARPPRECHT, Christoph (Org.). Teologia
 Prática no contexto da América Latina. São Leopoldo: Sinodal/ASTE, 1998. P. 268-290.
 __________. Diaconia: fé em ação. São Leopoldo: Sinodal, 1995.
Elas estão mais perto do céu

Elas estão mais perto do céu

Na ocasião de nossa participação no Fórum de Líderes da Missão Aliança em Oslo (Noruega, 9 a 16.6), fomos a um Culto no domingo pela manhã na Igreja Fagerborg. O anúncio era de um culto especial, teria batismo de crianças! Tivemos uma linda celebração, os textos bíblicos e hinos estavam todos relacionados ao cuidado especial de Deus para com as crianças. O pastor destacou a responsabilidade dos pais de educar os seus filhos nos caminhos do Senhor, lembrando-nos que educação demanda tanto instrução como exemplo (Dt 6.4-7); ao mesmo tempo ele desafiou os pais, à luz de Mt 18.1-3, a não apenas ensinar as crianças, mas também aprender com elas. Fez-nos lembrar de um educador brasileiro que sempre dizia que “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”.

Graças a Deus tínhamos um amigo e companheiro da Missão Aliança sentado ao nosso lado traduzindo tudo o que podia. Pra fechar aquela manhã tão especial, foi cantado o hino nº 591, do hinário da Igreja Luterana da Noruega, achei belíssimo, especialmente o que aparece em uma das suas estrofes, inspirado no relato de Marcos 10.16: “Ninguém no mundo está tão perto dos céus como a criança que ele tomou em seus braços”.

Por Bebeto Araújo

Jesus acalma a tempestade no coração de uma criança

Jesus acalma a tempestade no coração de uma criança

A parceria da Missão Aliança com a Lifewords disponibilizou para a nossa rede de parceiros uma ferramenta de aconselhamento cristão que tem gerado um impacto transformador na vida de muitas crianças, trata-se da Bolsa Verde. Abaixo partilhamos com você uma história de vida e esperança renovadas pelo poder do Evangelho.

Jesus acalma a tempestade no coração de uma criança

Um mês atrás atendi a Margarida (nome fictício), uma menina de dez anos que participa do nosso projeto. Ela foi muito sincera durante toda a nossa conversa. Contou que a pior coisa que havia acontecido em sua vida foi a separação de seus pais – enquanto falava sua tristeza se expressava também através das lágrimas. Disse que a separação causou muitos problemas e confusão em sua família. Para ela a vida estava como uma tempestade com muitos raios e trovões.

Tirei da Bolsa Verde a história “Jesus Acalma a Tempestade”, expliquei-lhe que Jesus, apenas com suas palavras, acalmou uma grande tempestade e que ele queria fazer o mesmo por ela. Margarida começou a chorar, agora de alegria, com um sorriso no rosto. Durante a oração ela pediu para que Jesus acalmasse a tempestade que estava dentro dela e entregou a sua vida a Cristo espontaneamente.

Margarida saiu muito feliz naquele dia. Depois da Bolsa Verde sua autoestima melhorou notadamente.

 

História narrada por…

Paulo Rafael Moeller Melchiors

Educador Social, GED (Grupo de Escoteiros Dorcas)