Uma ponte Brasil África

Uma ponte Brasil África

Bebeto Araújo, representante ministerial da Missão Aliança no Brasil, foi convidado pela Igreja Evangélica de Angola (IEA) para uma visita ao país africano. A viagem a Angola foi resposta a um convite feito pelo Reverendo Estanislau Barros, Secretário Geral da Igreja Evangélica de Angola (IEA). A “ponte” entre a IEA e a Missão Aliança foi realizada pelo Dr. Diedone Panzo, da World Mission Prayer League, que atuou no Equador em parceria com “Paz y Esperanza” e havia visitado o Brasil com o Sr. René Morales (Misión Alianza Ecuador) para participar do Encontro Nacional da RENAS em 2014, na cidade de Curitiba.

Em 6 dias de atividades, Bebeto pode conhecer a dura realidade local. O país está enfrentando uma grave crise por ter a sua economia completamente dependente do petróleo. A corrupção e privilégios sem fim dos que governam a nação com “mão de ferro” também configuram grandes desafios sociais. “Pude ministrar a Palavra de Deus, encorajando os irmãos e irmãs a assumirem uma postura proativa e empreendedora frente aos inúmeros desafios enfrentados em suas comunidades. Um desafio para agir como Jesus agiu, vendo as necessidades que feriam o coração de Deus, sentindo compaixão e fazendo algo para mudar a situação”, comenta o representante ministerial.

A agenda incluiu além de palestras e encontros com líderes eclesiásticos, professores, estudantes e autoridades locais, visitas a comunidades na periferia de Luanda e também nas províncias do Bengo e Zaire. Bebeto pôde apresentar o trabalho da Missão Aliança, falar sobre a Diaconia bíblica e o papel do cristão como agente de transformação social.

A atual liderança nacional da Igreja Evangélica de Angola tem apontado para a área de formação de liderança local como seu principal desafio. A Missão Aliança recebeu um grande apelo por parte de diversos dirigentes e supervisores regionais para que fossem pensadas formas de cooperar com a capacitação de líderes em várias áreas.

“Os desafios são enormes, mas acredito que a Missão Aliança no Brasil pode servir a Igreja Angolana. Os líderes de juventude com quem conversei expressaram um forte desejo de serem treinados para fazer diferença em seu país. Esse público tem um grande potencial – cerca de 70% dos angolanos tem menos de 25 anos de idade”, conclui Bebeto Araújo.

Como ponto de partida foram distribuídos alguns exemplares do livro “Igreja: agente de transformação” para pessoas chaves da liderança nacional. As despesas com passagem aérea, hospedagem e alimentação em Angola foram pagas pela IEA.

Mudanças em projetos de Joinville

Mudanças em projetos de Joinville

Mudanças em projetos de Joinville

Projeto Missão Criança aumenta atendimento às crianças

O Projeto Missão Criança Jardim Paraíso, em Joinville, Santa Catarina, dobrou a carga horária de atendimento às crianças desde o ano passado. Este ano, a iniciativa conta com mais uma professora para trabalhar com o apoio pedagógico e com aulas de esporte em período integral – em 2015 os esportes eram oferecidos somente em meio período. No total, o projeto atende 160 crianças de seis a 17 anos nas aulas de esporte e 57 crianças de seis a 11 anos no apoio pedagógico.

De acordo com a coordenadora do Projeto Missão Criança, Eunice Butzke Deckmann, as turmas vêm ao projeto espontaneamente, através de indicações das escolas do bairro e também são identificadas pelas visitas feitas pelo próprio Missão Criança. Cada aluno participa das atividades no contra turno escolar e pode escolher quais serão os esportes praticados. Hoje o projeto oferece aulas de vôlei, basquete e futsal, mas as opções mudam conforme a necessidade e interesse das crianças.

Projetos em Joinville passam a fazer parte de Instituto

Os projetos Missão Criança Jardim Paraíso e Missão Morro do Meio, em Joinville, Santa Catarina, passaram a fazer parte do Instituto Luterano de Obras Sociais (Iluos). O Instituto vai fazer a administração dos dois projetos, possibilitando assim a captação de recursos financeiros e convênios em esferas governamentais e no meio empresarial.

No Brasil, a legislação não permite a captação de recursos por instituições religiosas, o que dificulta a manutenção do serviço diaconal nos projetos. A partir da criação do Iluos será possível viabilizar as iniciativas através de um novo estatuto voltado para área social que permita a participação em editais públicos, a assinatura de convênios com instituições governamentais e adequação  às leis que regem os trabalhos no terceiro setor.

Para a coordenadora do projeto Missão Criança Jardim Paraíso, Eunice Butzke Deckmann, o Iluos vem para dar mais visibilidade e fortalecer os projetos. Já para Nilson Werich, coordenador o Projeto Missão Morro do Meio, o instituto vai permitir a aproximação dos projetos diaconais  apoiados pela Missão Aliança em Joinville. “Tenho a convicção de que os trabalhos realizados nos dois projetos têm grande relevância na sociedade, além de transformar várias vidas ao longo dos anos. Agora temos a possibilidade de melhorar ainda com a constituição do Iluos”.

Matéria prima para alfabetização

Matéria prima para alfabetização

Para entender o Jardim Gramacho você precisa estar com uma fina sandália de borracha nos pés. Ao entrar no barraco de madeira, será preciso atravessar tábuas improvisadas que servem de piso sobre o esgoto e a lama. Dentro do cubículo de tijolos aparentes, entram pequenas faixas de luz pela única porta do imóvel. Todos os seus itens são: geladeira, fogão, pia, cama e um pequeno armário. Não tem mesa para comer ou para estudar, quartos ou banheiro. Até o momento, você divide a cama com sua mãe ou com os irmãos. Esse é o retrato da vida de mais de 60 crianças atendidas pelo projeto diaconal Casa Semente, no município de Duque de Caxias, Rio de Janeiro.

A iniciativa se instalou em Jardim Gramacho logo após a desativação de um lixão que permaneceu por 35 anos no bairro. As famílias, em sua maior parte, formada por ex-catadores buscam novos empregos ou subempregos e as crianças após o horário escolar ficam nas ruas. O contexto geral é desafiador: alta taxa de mortalidade infantil, o maior índice do Brasil de adolescentes grávidas e, segundo o último Censo da Educação Básica do município, 70% dos alunos do 3° ano do ensino fundamental não sabem sequer ler um texto.

A fim de enfrentar o enorme déficit educacional no bairro, a equipe da Casa Semente investe na alfabetização básica.  Segundo a pedagoga da Casa, Fernanda Félix, o maior desafio é motivar, aguçar e despertar o interesse do aluno, que já vem marcado negativamente após muitas tentativas frustradas nas escolas públicas do bairro. Para isso, diversos voluntários se empenham na linha construtivista e sócio-interacionista da pedagogia. “Esse processo de ensino-aprendizagem lúdico, aliado a alimentação balanceada, apoio da família e afeto, é o que têm motivado o aprendizado. Perceber o quanto esses alunos têm se apropriado do universo da leitura e da escrita é notório para a escola que frequentam, familiares e voluntários”, comenta a pedagoga.

Semeando mais

Semeando mais

Dia 26/9 as entidades que compõem o Grupo de Trabalho de Meio Ambiente da REPAS realizaram o evento “Semeando Mais”. O objetivo do encontro foi refletir sobre a responsabilidade do cristão no cuidado com a criação e multiplicar a metodologia do Projeto Semeando em Terra Boa – uma proposta que visa incentivar igrejas a se envolver de forma prática na questão da compostagem e montagem de hortas em pequenos espaços. Algo como uma “vitrine verde” para inspirar membros e vizinhos a transformar os resíduos orgânicos gerados em suas casas em composto que pode ser utilizado na produção de hortaliças, chás, temperos, etc.

Um encontro pela vida

Um encontro pela vida

A Missão Aliança acaba de promover o 16º encontro de intercâmbios com projetos diaconais, parceiros e colaboradores ligados à rede local no Brasil. Intitulado Juntos damos uma oportunidade à vida, o evento reuniu entre os dias 22 e 25 de outubro 54 participantes para um tempo de comunhão, reflexão e descanso. Durante 4 dias a rede discutiu temas ligados ao dia a dia dos trabalhos diaconais, onde cada projeto foi convidado a compartilhar iniciativas bem sucedidas com o público. “Para mim, esse grupo é uma expressão da Igreja brasileira, que está participando da Missão de Deus na nossa nação. Temos aqui uma rede comprometida com a superação da pobreza, a defesa de direitos e a proclamação do evangelho, queremos fortalecer e ampliar esta rede. Queremos saber o que está dando certo em cada projeto e passar isso para frente”, comenta Bebeto Araújo, representante ministerial da Missão Aliança no Brasil e organizador do evento. Foi ele mesmo que abriu o ciclo de palestras com uma reflexão intitulada “Ver criterioso e agir misericordioso”. Num paralelo à parábola do bom samaritano, Bebeto destaca o papel da igreja no acolhimento aos que estão caídos no meio do caminho.

“Jesus, que é o nosso modelo e fonte de inspiração, entende o seu envio ao mundo como serviço. O ponto de partida para a ação diaconal é a necessidade do outro, não a minha. Não se trata de saber quem é o meu próximo, mas de quem eu devo me tornar próximo”, comenta o representante ministerial.

O encontro também teve a participação da psicóloga e cientista social Patrícia Reis, cuja contribuição tem sido estudar e oferecer o diagnóstico dos parceiros da Missão Aliança no Brasil. Em sua palestra, Patrícia traçou um paralelo entre trabalho e o território. “O projeto diaconal é o casamento entre afeto e racionalidade. Se as nossas organizações querem promover uma intervenção social relevante é importante conhecer o contexto territorial e os principais desafios sociais da comunidade em que se está inserido. Só a partir desse conhecimento prévio que nós vamos conseguir intervir e transformar um círculo vicioso de pobreza, num círculo virtuoso de desenvolvimento”, comenta a consultora que ainda organizou um amplo debate entre os participantes.

O melhor de 2015

O encontro de intercâmbios também deu espaço para os projetos diaconais mostrarem o que aconteceu de melhor em 2015. Foi o caso do Projeto Missionário Vila Capriotti (São Paulo) que apresentou o projeto Dr. Bartô, que trabalha pela prevenção do uso de drogas lícitas como cigarro e álcool nas escolas públicas do bairro. Referente ao direito da criança e adolescente, o conselheiro tutelar Marcos Costa lançou seu livro “Binho, o menino que tinha medo do Conselho Tutelar”, texto ilustrativo que visa acabar com o estigma e aproximar a criança ao órgão de defesa de direitos. A edição da cartilha contou com o apoio da Missão Aliança que financiou a impressão de mil exemplares a serem distribuídos gratuitamente através da rede diaconal espalhada pelo Brasil.
Dando continuidade ao foco nas crianças, Luciana Falcão e Clenir Santos falaram sobre o Projeto Calçada e sua metodologia para ajudar crianças a lidar com traumas emocionais. A palestra despertou bastante interesse nos projetos diaconais que já planejam incluir a ferramenta no dia a dia de atividades. “Estudamos e criamos uma metodologia que trata cada criança de forma individual. Temos bons resultados até aqui e queremos ampliar o alcance do Projeto Calçada através da formação de agentes multiplicadores”, comenta a psicóloga Clenir Santos, idealizadora da iniciativa que em 2015 passou a contar com o apoio da

Missão Aliança.

No campo da articulação social, Nilson Weirich, coordenador do Projeto Missão Morro do Meio, falou sobre a ação integrada pela defesa de direitos de crianças e adolescentes na periferia de Joinville, Santa Catarina. Visando o longo prazo, Nilson costurou a parceria entre agentes do poder público, privado, igrejas, organizações de bairro e comunidade afim alcançar resultados práticos de transformação. “Nosso projeto foi procurado pelo poder público para ajudar no enfrentamento ao alto índice de abuso sexual de crianças em nosso bairro. Como já estamos articulados, demos uma resposta rápida reunindo várias lideranças e formalizando uma rede de proteção com representantes de 19 entidades. Já lançamos uma campanha no jornal comunitário e acreditamos que o agressor vai se sentir inibido para fazer outros ataques”, comenta o líder comunitário.

Outro desafio corrente nos projetos diz respeito à geração de renda e mobilidade social. Foi pensando nessas questões que o Projeto Girassol iniciou o Papo Jovem, um programa oferece orientação vocacional para jovens da favela São Remo (São Paulo) e que já alcançou importantes resultados. “A favela de São Remo faz divisa com a Universidade de São Paulo e ninguém ali acreditava ser possível atravessar aquele muro. Focamos nosso apoio nos adolescentes que tinham mais relação com o projeto e já colocamos vários deles na universidade”, comenta Élbio Miyahira, coordenador do Projeto Girassol.

Para fechar o ciclo de palestras Jørgen Haug falou sobre identidade e elementos históricos da Missão Aliança. O Diretor para América Latina pode falar ao público brasileiro sobre personagens importantes na tradição missionária norueguesa como Hans Nielsen Hauge e LudvigEriksen, este fundador da Missão Aliança. “Nossa herança de trabalhar com diversas igrejas, a aliança com Deus e com o próximo como um princípio fundamental, a pregação do evangelho e o enfoque social integral sobre os mais pobres devem ser sempre lembrados dentro de nossos projetos diaconais”, destaca Jørgen Haug.

Momentos de celebração

O encontro de intercâmbios também foi um tempo de descanso e refrigério para todos os participantes. Nessa edição todos foram convidados para fazer um tour pelos parques de Curitiba, conhecida como a capital ecológica do Brasil. Mas o ponto alto do congresso foi o tão esperado café colonial, uma festa feita para celebrar o trabalho e amizade de todos os parceiros.

Quem também celebrou foi a própria Missão Aliança que, em 2015, celebra 10 anos em solo brasileiro. A comemoração teve direito a bolo e canto de parabéns.

A equipe brasileira Bebeto, Eliza, Francisco e Thiago, acompanhada do Diretor para América Latina Jørgen Haug, pode soprar a velas e agradecer a Deus pela primeira década no Brasil.

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